Artigos ( Informação actualizada regularmente ):
02/Março/06 - Cuidados com a pele e o pêlo – Banhos e escovagem
26/Março/06 - Envenenamentos
26/Abr/05 - Relacionamento do Homem com os Animais
26/Abr/05 - A Marcação por urina nos gatos: o que é ?
26/Abr/05 - A Marcação por urina nos gatos: soluções ?
Este é o espaço do site Hifarmax onde iremos falar de animais de estimação e dos seus problemas . Esta coluna veterinária pode interactiva, para isso escreva-me, responderei às perguntas que tiver sobre doenças, alimentação, higiene, educação... Não hesite, ponha as suas questões.
Na sociedade contemporânea, são cada vez mais os jovens que crescem isolados da natureza, cercados de todo o tipo de restrições artificiais impostas pelas nossas sociedades urbanas. O bife, os ovos e a manteiga aparecem quase milagrosamente no prato, fazendo crer, para quem não lhe sentiu as origens, que são produzidos em série, tipo indústria automóvel. Não se trata apenas de mero desconhecimento, mas duma ausência de ligação emocional às bases mais profundas do ser humano.
As consequências deste afastamento favorecem todo o tipo de comportamentos aberrantes, fruto de pouca responsabilidade, pouco respeito pelo outro, pouca capacidade de comunicação,etc.
A felicidade de viver no campo integrado na natureza não é para todos, por isso, nas cidades a solução é trazer a natureza para o nosso apartamento. São cães, gatos, papagaios, tartarugas, etc, que passam a fazer parte da família dando-nos a descontração e a alegria necessárias a uma melhor qualidade de vida.
Sabe-se, hoje, que o relacionamento diário com animais pode reduzir o stress, a ansiedade, a depressão, e até contribuir para a reabilitação e integração social de delinquentes e diminuídos mentais.Alguns psiquiatras aconselham,mesmo a terapia com animais para casos de depressão, timidez aguda, autismo e síndroma de Down. Crianças com problemas tornam-se mais abertas e comunicativas. Encarregar uma criança de cuidar de um animal estimula-lhe o sentido de responsabilidade e a auto-estima.
Os idosos são dos grupos mais favorecidos no contacto animal pela diminuição da ansiedade e depressão, aumento da vitalidade e do bem-estar , incrementando também a sua actividade física.
Por vezes, os animais desempenham o papel dos filhos que não se têm ou dos que saíram de casa por já serem maiores, ocupando as carências dum ser inocente e dependente por parte dos pais.
Os animais podem desempenhar ainda uma função educativa na família, pelo que alguns pais utilizam-nos para explicar aos seus filhos assuntos delicados como: “donde vêm os bébés, como se fazem,etc”.
Nas prisões dos Estados Unidos, de vários países europeus, da África do Sul, da Austrália e já em Portugal são usados animais em programas de reabilitacão de delinquentes com bons resultados na diminuição da violência , melhoria das relações dos presos entre si e entre presos e funcionários, havendo também uma diminuição da reincidência.
De entre todos os animais parece ser o cavalo aquele que contribui duma forma mais significativa para a melhoria dos casos mais graves, tanto na àrea da delinquência, como na área da deficiência mental.
A terapia pelo cavalo, ou hipoterapia, ajuda a criar padrões de comportamento e a melhorar a comunicação e é já usada em Portugal em vários centros especializados.
Se no paasado o animal foi usado como instrumento de evolução da civilização, no futuro das sociedades urbanas, pode ser o elo indispensável a uma vida menos artificial e com mais sentido.
Hoje falei-lhe da importância da relação animal-homem e de como ela nos pode ser ùtil, nas próximas semanas abordarei assuntos mais específicos do animal, tais como: o cio das gatas, o combate às pulgas e às carraças, porquê desparasitar ?, alimentação,etc. Como vê motivos de sobra para que escreva contando os problemas que tem com o seu animal.
Até para a semana.
Filipe Nunes
(Médico Veterinário)

Cuidados com a pele e o pêlo – Banhos e escovagem
A pelagem dos nossos animais reflecte em primeiro lugar o estado de saúde geral e o nível nutricional de que cada um beneficia. No entanto, os donos preocupam-se mais com o pêlo e pele do seu animal do que com qualquer outro aspecto dos cuidados com o seu animal. Para isto concorrem dois factores óbvios: a pele e o pêlo são exteriores, veêm-se, sendo natural a preocupação sempre que surga qualquer alteração visível; o outro factor tem a ver com a nossa faceta social como seres humanos, a aparência exterior do animal, dada pela tosquia ou pelo brilho do pêlo, pressupõe um dono cuidadoso, responsável, com bom gosto e, por vezes, até com um certo estatuto social ou económico. A subjectividade neste último ponto é grande e há quem veja em tudo isto mero exibicionismo. Pondo de lado as motivações que nos levam a fazer o que fazemos aos nossos animais, deixamos alguns conselhos técnicos sobre o tema.
As diferentes raças de cães e gatos apresentam diferentes tipos de pelagens, daqui resulta que a generalização sobre os detalhes nos cuidados a ter com o pêlo dos animais, seja muito difícil de estabelecer.
A escovagem é um dos cuidados mais elementares a ter com o pêlo, em especial em raças de pêlo comprido ou encaracolado. Os animais mudam todo a pelagem 2 a 3 vezes por ano, duma forma irregular, dita em mosaico, fazendo cair o pêlo mais numas zonas que noutras.O ritmo de renovação do pêlo é influenciado pela temperatura ambiente, assim geralmente nos períodos de calor é evidente grande queda de pêlo. Esta queda de pêlo é normal, mas problemática para os donos que convivem com o seu animal dentro de casa. É aqui que uma boa escovagem ajuda a evitar esse inconveniente. Outro aspecto positivo da escovagem vem do facto de esta ser um exercício de obediência para os cães, contribuindo para estabelecer uma relação de amizade com controlo. Nos gatos a motivação para tolerar a escovagem deverá passar na maior parte dos casos pelo divertimento e prazer do momento, uma vez que estes animais raramente se colocam na atitude submissa do obediente inferior hierárquico, como faz o cão.
Qual a melhor frequência para escovar?
A frequência ideal para escovar o seu animal pode ir de semanal a diária, dependendo da raça em causa e da fase que o seu cão ou gato atravessam. Assim, se nos animais de pêlo curto, como o boxer, o doberman, o dalmata, o galgo, o beagle ou o retriever, basta uma vez por semana e até com uma simples luva de borracha, removendo alguns pêlos mortos, já nos animais de pêlo encaracolado, como o caniche, ou de pêlo comprido, como o pastor alemão, o collie, o husky, o samoyedo, o pequinês ou os spaniels, os cuidados de escovagem deverão ser mais frequentes para evitar o embaraço do pêlo, nós e a inconveniência de ter um animal que “semeia” longos pêlos à sua passagem pela casa.
O banho é outra das preocupações mais comuns. Antes de qualquer banho, o cão de pêlo comprido ou encaracolado, deve sempre ser escovado de forma a retirar todos os nós, pois caso contrário estes tornam-se impossíveis de desembaraçar depois de molhados. A escolha do champô deverá recair sobre a grande variedade de produtos especialmente para o efeito, sendo de evitar os produtos para nosso uso por serem em geral demasiado detergentes e originando irritações na pele que poderão subir de gravidade se se insistir no mesmo erro. Os champôs para bébé são preferíveis pela sua suavidade; os champôs de ajuste de pH não resultam por o pH da pele do cão ser bastante mais alcalino do que o da nossa própria pele; os que contêm óleos deixam de facto o pêlo mais brilhante; os com protéinas parecem não acrescentar nada. Qualquer que seja a escolha, evite outro erro comum: não ponha champô em excesso e se não for um produto apropriado, então, dilua-o com àgua,antes de aplicar, para minimizar os efeitos irritantes sobre a pele que a maior parte têm.
Qual a melhor frequência para dar banho?
Tal como na escovagem também aqui a frequência óptima é determinada pela raça e pelas necessidades particulares de certos animais. Um cão normal que não se suje, poderá tomar banho com intervalos de 2 ou 3 meses ou mais. No caso do cão emanar um cheiro demasiado forte ou desagradável a frequência dos banhos terá que aumentar e poderá chegar, em alguns casos, a ser semanal. No caso dos banhos se tornarem frequentes é aconselhável usar um produto com óleo ou um condicionador para compensarem a perda das indispensáveis gorduras cutâneas. Se o problema do cheiro não passar ou após algumas lavagens o cão continuar com a “caspa” ou a “comichão”, então deverá procurar o seu médico veterinário, pois esses podem ser os sintomas de uma pele doente ou o reflexo duma outra doença ainda não evidente.
Evite os banhos para matar as pulgas ou as carraças, hoje em dia, existem métodos mais eficazes e menos penosos de resolver esses problemas.
Os banhos secos , como o talco ou o ácido bórico poderão ter a sua utilidade, reduzindo a frequência do uso dos champôs e libertando o cão de algumas sujidades, em especial gorduras, mas infelizmente não substituem o tradicional banho com champô que continua a ser o meio mais eficaz limpar o pêlo de um cão.
Quais os cuidados especiais com os gatos?
Os gatos quase nunca requerem banho.Têm rotinas de autolimpeza bastante cautelosas, além disso detestam banho. A escovagem pode seguir a mesma regra dos cães, mas para ser bem sucedido nesta operação com um gato terá que o começar a habituar a ela desde as 4 semanas de vida, embora se o fizer mais tarde também possa resultar.
Nunca corte as unhas a um gato. Se o fizer, ele terá tendência para as afiar de imediato e isso pode custar-lhe o móvel do quarto ou o sofá da sala.
Faço votos para que estes conselhos lhe possam ser úteis.

ENVENENAMENTOS
Os envenenamentos de animais domésticos são sempre actos criminosos. Podem resultar de atritos e problemas entre vizinhos, onde a morte do animal do outro é a forma mais fácil de o agredir. A lei prevê este crime com pesada punição, tendo o lesado direito a ser indemnizado.
A outra motivação para estes actos, traduz-se no envenenamento de vários animais de uma certa zona, e provem normalmente de alguém se sente perturbado com o excesso de cães ou gatos vadios no seu bairro e decide fazer um “ controle populacional”. Embora, com uma motivação completamente diferente este é também um gesto criminoso, igualmente punível nos termos da lei. O controle do número de cães e gatos é uma preocupação importante, que deverá ser partilhada por todos os que têm cães ou gatos em casa, mas muito em especial gatos, devido ao potencial reprodutivo desta espécie. Esta preocupação é legítima, mas deve manifestar-se duma forma civíca. De facto, quem tem animais em casa deve questionar-se, para que os quer. Se a resposta for para simples companhia, sem qualquer objectivo de reprodução, então, quer o animal seja macho ou fêmea deverá levá-lo ao seu veterinário para que seja esterilizado. Com este procedimento evitará descendência indesejada no futuro. É que, que existem outros métodos aparentemente mais fáceis e humanos de resolver o problema nas fêmeas, como os contraceptivos orais ou injectáveis, mas, além dos graves efeitos secundários que podem originar, como as infeções uterinas, a sua eficácia está ainda à mercê do não esquecimento pelo dono de fazer cumprir rigorosamente o esquema contraceptivo. Este último ponto, com a falta de tempo e outro tipo de preocupações que hoje em dia nos atingem, convenhamos, não é fácil de cumprir. Por isso, surgem as falhas e as consequentes escapadelas dos nossos animais que conduzem à gravidez e, mais tarde, a uma ninhada de cachorros ou gatinhos que por muito engraçados que possam ser, não temos solução para o seu futuro. São estes animais uma das fontes mais habituais de cães e gatos vadios nos nossos bairros.
O que fazer em caso de envenenamento?
Se tiver acesso à embalagem do produto venenoso deve telefonar para o número de telefone do Centro de Informação Anti-Venenos: 808 250 143 leia a composição e aguarde pela sugestão que o operador lhe pode dar. Com essa resposta, pode dirigir-se à clínica veterinária mais próxima, diga que é urgente, não fique na sala de espera com o animal, leve a referida embalagem e a resposta do serviço de intoxicações.
Como identificar os envenenamentos?
Os mais comuns são por raticidas que se reflectem em hemorragias mais ou menos graves e por insecticidas que conduzem o animal a um estado de tremura, salivação e um hálito característico. Ambos os casos são muito graves, havendo algumas substâncias tóxicas que não têm antídoto, sendo o resultado quase sempre fatal; por isso apresse-se.
Se tiver animais ataque o problema pela base, não deixe que eles se reproduzam se esse não for o seu objectivo.
Se não tiver animais, apelamos ao civismo, os animais ou o seu excesso são na nossa sociedade resultado da intervenção humana, pelo que não poderão ser mortos como se fossem responsáveis pela sua existência.

Relacionamento do Homem com os Animais
Neste primeiro contacto gostaria de lhe falar sobre os benefícios do relacionamento com os animais. De facto, na sociedade contemporânea, são cada vez mais os jovens que crescem isolados da natureza, cercados de todo o tipo de restrições artificiais impostas pelas nossas sociedades urbanas. O bife, os ovos e a manteiga aparecem quase milagrosamente no prato, fazendo crer, para quem não lhe sentiu as origens, que são produzidos em série, tipo indústria automóvel. Não se trata apenas de mero desconhecimento, mas duma ausência de ligação emocional às bases mais profundas do ser humano.
As consequências deste afastamento favorecem todo o tipo de comportamentos aberrantes, fruto de pouca responsabilidade, pouco respeito pelo outro, pouca capacidade de comunicação,etc.
A felicidade de viver no campo integrado na natureza não é para todos, por isso, nas cidades a solução é trazer a natureza para o nosso apartamento. São cães, gatos, papagaios, tartarugas, etc, que passam a fazer parte da família dando-nos a descontração e a alegria necessárias a uma melhor qualidade de vida.
Sabe-se, hoje, que o relacionamento diário com animais pode reduzir o stress, a ansiedade, a depressão, e até contribuir para a reabilitação e integração social de delinquentes e diminuídos mentais.Alguns psiquiatras aconselham,mesmo a terapia com animais para casos de depressão, timidez aguda, autismo e síndroma de Down. Crianças com problemas tornam-se mais abertas e comunicativas. Encarregar uma criança de cuidar de um animal estimula-lhe o sentido de responsabilidade e a auto-estima.
Os idosos são dos grupos mais favorecidos no contacto animal pela diminuição da ansiedade e depressão, aumento da vitalidade e do bem-estar , incrementando também a sua actividade física.
Por vezes, os animais desempenham o papel dos filhos que não se têm ou dos que saíram de casa por já serem maiores, ocupando as carências dum ser inocente e dependente por parte dos pais.
Os animais podem desempenhar ainda uma função educativa na família, pelo que alguns pais utilizam-nos para explicar aos seus filhos assuntos delicados como: “donde vêm os bébés, como se fazem,etc”.
Nas prisões dos Estados Unidos, de vários países europeus, da África do Sul, da Austrália e já em Portugal são usados animais em programas de reabilitacão de delinquentes com bons resultados na diminuição da violência , melhoria das relações dos presos entre si e entre presos e funcionários, havendo também uma diminuição da reincidência.
De entre todos os animais parece ser o cavalo aquele que contribui duma forma mais significativa para a melhoria dos casos mais graves, tanto na àrea da delinquência, como na área da deficiência mental.
A terapia pelo cavalo, ou hipoterapia, ajuda a criar padrões de comportamento e a melhorar a comunicação e é já usada em Portugal em vários centros especializados.
Se no passado o animal foi usado como instrumento de evolução da civilização, no futuro das sociedades urbanas, pode ser o elo indispensável a uma vida menos artificial e com mais sentido.
Hoje falei-lhe da importância da relação animal-homem e de como ela nos pode ser ùtil, nas próximas semanas abordarei assuntos mais específicos do animal, tais como: o cio das gatas, o combate às pulgas e às carraças, porquê desparasitar ?, alimentação,etc. Como vê motivos de sobra para que escreva contando os problemas que tem com o seu animal.
Até para a semana.
Filipe Castro e Nunes
(Médico Veterinário)
A marcação por urina nos gatos: o que é ?
Vamos hoje falar-lhe de um dos problemas comportamentais mais frequentes nos gatos: a marcação territorial por urina.
Este comportamento é normal em animais inteiros, tanto machos como femeas, embora mais frequente em machos. A castração de machos ou de femêas antes da puberdade diminui bastante a incidência deste comportamento. Sabe-se hoje que gatos nestas circustâncias diminuem a marcação para 10% nos machos e para 5% nas femêas, em relação a animais não castrados.
Este comportamento inicia-se com o gato cheirando uma área alvo, geralmente um plano vertical cerca de 30 cms acima do chão. Após ter cheirado suficientemente essa zona, o gato vira-se e dirige um jacto de urina para essa área alvo. Toda a parte posterior do gato está esticada na vertical e devido à contração exercida, nota-se que todo o animal vibra, em especial as suas partes posteriores. Machos e femêas paracem apreciar o mesmo tipo de locais para este efeito; em casa são os móveis, as esquinas das paredes e os adereços de cozinha ao seu alcance; no exterior são árvores, arbustos, degraus, rodas de automóveis, etc.
Os machos inteiros marcam o seu território quase sempre através de um spray de urina como descrito acima, mas as femêas ou alguns machos castrados podem fazer marcação territorial, num gesto de urinar simples, distinguido-se deste por ser feito fora do local apropriado para o efeito. As áreas alvo típicas deste último tipo de comportamento são a cama do dono, sítios específicos na alcatifa ou tapetes e por vezes, a roupa do dono.
Para finalidades de tratamento qualquer dos comportamentos acima descritos deve ser considerado como um único, pois a sua origem é a mesma.
A marcação territorial por urina é essencialmente um comportamento inato, tornando-se muito difícil a sua dissuasão apenas através do castigo.
Quais serão então as determinantes deste comportamento?
A marcação familiariza o animal com o seu próprio território. A sua própria urina torna-o, provavelmente, mais auto-confiante e confortável, além de comunicar a sua presença a outros gatos nessa zona. Uma causa importante da marcação é o aumento da ansiedade e da tensão. Os gatos não deverão fazer marcações propositadamente nas fronteiras dos seus territórios, tal como nós construímos vedações, mas antes por ser em certos locais que a ocorrência real de encontros desencadeadores de ansiedade ou a possibilidade dessa ocorrência, se faz ou o gato julga que se podem fazer com outros gatos. A marcação é também muito útil durante a estação de reprodução para atrair femêas em cio para a vizinhança de um macho. A marcação não resulta de processos cognitivos, tal como se fosse uma forma de expressar ressentimento para com os donos.
A marcação pode ser influenciada pelo número de gatos na casa ou por alterações na própria casa. Por exemplo durante o período de ajustamento a uma nova casa a marcação pode aumentar; um gato que não marque pode, subitamente, começar a marcar se aparecerem outros gatos em casa ou na vizinhança. Os gatos inteiros têm uma tendência muito maior para marcarem, mas os gatos castrados, mesmo aos quatro meses de idade, durante a estação de reprodução devido ao aumento dos contactos sociais, podem mostrar também um aumento da actividade de marcação, provocado pelo aumento dos níveis de ansiedade. Em natureza, é um comportamento normal, as femêas marcarem durante a estação de reprodução para atrairem machos para a sua zona.
Para a semana veremos o que fazer para resolver este problema. Até lá.
Filipe Castro e Nunes
(Médico Veterinário)

A marcação por urina nos gatos: Soluções.
Vamos hoje tentar dar-lhe algumas pistas de como resolver o problema da marcação por urina nos gatos.
O primeiro passo para resolvermos um problema é termos a certeza de que o identificámos correctamente. Assim importa ter a certeza de que a urina que o seu gato faz fora do lugar corresponde a uma marcação e não é apenas um urinar inapropriado por qualquer outra causa. Para fazer essa distinção importa reparar na cor e aspecto da urina para detectar qualquer alteração que possa indiciar infecção. Será boa prática, em caso de dúvida, dirigir-se ao seu médico veterinário para que a situação seja observada e eventualmente seja feita uma análise de urina para que várias hipóteses clínicas sejam descartadas. Se tiver a certeza que do ponto de vista físico está tudo bem com o seu gato, então estará provavelmente perante uma situação de marcação. Será também boa ideia perguntar-se sobre eventuais razões para o início deste comportamento. Será que se mudou recentemente de casa? Será que adquiriu outro gato para sua casa, ou mesmo outro animal? Será que o começo do problema coincidiu com a estação reprodutiva? Se a resposta é positiva a alguma destas questões então o problema de marcação que tem entre mãos pode ser transitório. Neste caso dê algum tempo ao seu animal, tudo se poderá resolver naturalmente, sem recurso a qualquer intervenção especial.
Em casas com vários gatos o problema é normalmente saber qual dos gatos é responsável pelas marcações. Neste caso o seu veterinário pode ajudar, através da injeção subcutânea ou da administração oral de uma substância de contraste, a fluoresceína, que será eliminada, passadas duas horas, pela urina. Esta substância marca a urina no exterior durante 24h, após as quais se degrada. Para a visualização do tom verde fluorescente que a fluoresceína confere à urina é necessária a utilização duma lampâda de ultavioletas (de Wood). O procedimento mais lógico a seguir deverá passar por administrar a fluoresceína ao gato que apresente maior probabilidade de ser o responsável pelo problema, se ao final de dois dias não aparecerem marcações de urina que fluoresçam, deve escolher outro gato para administrar o produto. Assim sucessivamente até que se torne claro quem é o responsável pelo problema.
Castração: a urina dos gatos inteiros tem um odor forte, bastante diferente do cheiro da urina das femêas ou dos machos castrados. Aparentemente as hormonas androgénicas produzidas nos testículos são as responsáveis por esse odor, mas a natureza ou a origem certa desse cheiro não é conhecida. A castração elimina cabalmente esse odor ao fim de apenas alguns dias. Apesar deste efeito directo da castração sobre o odor, o efeito sobre o comportamento de marcação não é tão linear. Castrados após a puberdade apenas 10 % dos machos conservam o comportamento de marcação. A castração efectuada antes da puberdade, tanto a machos como a femêas, parece apresentar resultados bastante melhores. No entanto, mesmo castrados aos seis meses de idade, gatos ou gatas podem aos 3, 4 ou 5 anos começar subitamente com este comportamento, assim haja um ou mais factores desencadeadores. Se existir o desejo de deixar crescer o gato, o mais parecido possível com um gato inteiro, ou seja, com uma cabeça grande, maiores maxilares, etc, então a castração pode ser feita depois dos 6 meses, pois considera-se que diferença entre a castração antes e depois da puberdade para este efeito é pequena, justificando perfeitamente o risco.
Maneio comportamental: esta abordagem é muitas vezes uma desilusão, pois estamos a lidar com uma resposta normal do gato a um stress ambiental ou social. No entanto, a punição remota com ratoeiras ou pistolas de água, pode resultar, fazendo o animal acreditar que existe uma relação entre o acto de marcação nesse local e um facto negativo que não interfere com a relação com o dono. Este método leva, muitas vezes, a que o animal apenas mude de sitío. Se o gato marca apenas em 2 ou locais outra boa tentativa será colocar a sua comida exactamente nesses locais. É pouco provável que algum gato marque o local onde come.
Se ainda assim tudo isto não resultar pode falar com o seu veterinário e aconselhar-se sobre o tratamento com progestagéneos ou fazendo uma pequena cirúrgia seccionado o nervo olfactivo. É claro que estas técnicas são mais complexas, tem maiores riscos e por isso devem ser reservadas como última solução.
Esperamos ter dado algumas ideias práticas sobre este tema de modo a que possa resolver os problemas de marcação do seu gato. Para a semana falaremos sobre o problema do “arranhar” dos gatos. Até lá.
Filipe Castro e Nunes
(Médico Veterinário)
